Comportamento de Escolha e Autocontrole
O que, como e porque escolher.
João Claudio Todorov
Cristiano Coelho
Elenice S. Hanna
Interações entre economia e psicologia permitem análise do comportamento de tomada de decisões na vida cotidiana. Neste artigo nos mostra de forma clara e com muito exemplos do dia a dia o que está por trás do comportamento de escolher.
Sobre a Lei do Efeito
R. J. Herrnstein
Experimentos sobre esquemas de reforçamento simples, múltiplos e concorrentes encontram várias correlações entre a taxa de resposta e a taxa ou magnitude de reforço. Para esquemas concorrentes (i.e., procedimentos de escolha simultânea), ocorre igualação entre as frequências relativas de resposta e reforço; para esquemas múltiplos (i.e., procedimentos de discriminação sucessiva), ocorrem efeitos de contraste entre o responder em cada componente e o reforçamento nos outros; e, para esquemas simples, encontra-se uma família de relações monotônicas crescentes entre a taxa de resposta e a taxa de reforço. Todos esses resultados, em conjunto com outros, podem ser explicados por um sistema coerente de equações, entre as quais a mais geral afirma que taxa absoluta de qualquer resposta é proporcional ao reforço relativo associado a ela. Traduzido por Cristiano Coelho
Análise comportamental de padrões parentais a partir da noção de autocontrole e impulsividade
Bruno Jorge de Sousa
Cristiano Coelho
O presente artigo objetivou a análise conceitual de estilos ou padrões parentais a partir das noções de autocontrole e impulsividade encontradas na literatura sobre comportamento de escolha em Análise do Comportamento partindo-se da contextualização das discussões encontradas no desenvolvimento de ideias econômicas e suas críticas. A revisão sobre os modelos de estilos parentais de referência presentes na literatura sugere uma divergência entre os modelos explicativos tipológicos e produções em Análise do Comportamento. Proposições sobre escolha racional do campo da microeconomia e os desdobramentos a partir da crítica à racionalidade foram analisadas com apresentação das teorias da utilidade e dos prospectos. Considerando processos de impulsividade e autocontrole, o exame a partir da Análise do Comportamento indicou que as teorias normativas econômicas não preveem a reversão da preferência de escolhas parentais de métodos educacionais dos filhos em decorrência da alteração do valor subjetivo dos reforçadores por atraso e probabilidade. A análise relacionou escolha e preferência dos pais sobre métodos educacionais à imediaticidade e certeza do uso da punição no controle do comportamento filial, e atraso e probabilidade como parâmetros necessariamente encontrados no uso de reforço como método educacional, caracterizando respectivamente padrões parentais impulsivo e autocontrolado.
Violência Doméstica e Autocontrole com Consequências Aversivas Atrasadas e Prováveis
Cristiano Coelho
Renata Limongi França Coelho Silva
Visando avaliar a relação entre histórico de violência doméstica e autocontrole, 53 homens e 82 mulheres realizaram escolhas em contextos hipotéticos de violência doméstica e de perda de dinheiro, em um programa de computador. No contexto de violência, escolheram entre prisão, para os homens, imediata por um ou seis meses, e prisão após um ano ou com 50% de chance. Com dinheiro, escolheram entre perder R$100,00 imediatamente e perdas com 50% de chance ou após um ano. O tempo de prisão e a perda de dinheiro atrasados/prováveis eram aumentados para avaliar equivalência com as prisões e perdas imediatas. Mulheres e homens sem histórico indicaram menores tempos de prisão atrasados que os homens com histórico. Com dinheiro, os homens com histórico preferiram perdas atrasadas maiores que as mulheres, mas o contrário com probabilidade. Esses dados são compatíveis com maior evitação de consequências imediatas aversivas pelos homens com histórico, um indicativo de maior nível de impulsividade.
Para você não ter medo de números: O uso de modelo matemático da Lei da Igualação.
Lorismario E. Simonassi
Reginaldo Pedroso
A utilização de modelos matemáticos pela análise do comportamento não é nova. Porém, muitos alunos entram no curso de Psicologia com aversão a qualquer coisa que se relacione a matemática, e podemos imaginar que tais alunos, terminam seu curso com a mesma compreensão sobre a utilização de modelos matemáticos em análise do comportamento. O objetivo deste artigo é mostrar de uma maneira muito simples a compreensão de uma equação matemática, mais precisamente a Lei de Igualação, e no final, apresentar algumas vantagens em se utilizar modelos matemáticos e sua aplicabilidade.
Desempenho em Esquemas Concorrentes Independentes e Cumulativos de Intervalo Variável
João Claudio Todorov
Cristiano Coelho
Marcelo Emílio Beckert
Quatro pombos foram utilizados como sujeitos em um experimento no qual esquemas concorrentes de intervalo variável programavam reforços independentemente do comportamento dos sujeitos. Uma vez programado um reforço, era iniciada a contagem de tempo para o próximo, ainda que aquele reforço não fosse liberado. A frequência relativa programada de reforços foi mantida constante enquanto a frequência absoluta de reforços programados foi manipulada (de 2 a 30 reforços por minuto) em cinco condições experimentais. Nenhuma contingência especial foi programada para respostas de mudança. A distribuição de respostas entre os esquemas esteve próxima da distribuição de reforços em todas as condições experimentais de todos os sujeitos. Não foi observado qualquer efeito sistemático da frequência absoluta de reforços na relação entre distribuições de respostas e de reforços entre os esquemas. Os dados não apoiam sugestões de que a equação generalizada de igualação deveria ser substituída por alguma equação que inclua a frequência absoluta de reforços como uma variável.
Effect of Relative Reinforcemente Duration in Concurrent Schedules with Different Reinforcement Densities: A Replication of Davison (1988)
João Claudio Todorov
Elenice S. Hanna
Cristiano Coelho
Ana Flávia Borges Moreira
Thaís Andreozzi
Patrícia Finageiv
Luciana Bayeh
Previous studies have challenged the prediction of the Generalized Matching Law about the effect of relative, but not absolute, value of reinforcement parameters on relative choice measures. Six pigeons were run in an experiment involving concurrent variable-interval schedules with unequal reinforcer durations associated with the response alternatives (10 s versus 3s), a systematic replication of Davison (1988). Programmed reinforcement frequency was kept equal for the competing responses while their absolute value was varied. Measures of both response ratios and time ratios showed preference for the larger duration alternative and that preference did not change systematically with changes in absolute reinforcer frequency. Present results support the relativity assumption of the Matching Law. It is suggested that Davison’s results were due to uncontrolled variations in obtained reinforcement frequency.
Efeitos de atraso e tarefa na resolução de problemas matemáticos em crianças com e sem TDAH.
Renata Limongi França Coelho Silva
André Vasconcelos da Silva
Cristiano Coelho
Na análise do comportamento, situações de autocontrole/impulsividade têm sido estudadas por meio de situações de escolha com alternativas que diferem em atraso e magnitude do reforço. Oito crianças foram alocadas em um grupo "com TDAH" e seis em um grupo "sem TDAH". Posteriormente essas crianças foram submetidas a cinco sessões experimentais de resolução de contas de adição e subtração que poderiam ser realizadas conforme uma de duas tarefas. Como em outros estudos sobre os efeitos do atraso em situações de escolha com humanos, a proporção de escolha entre as tarefas não variou sistematicamente com a manipulação do atraso. Por outro lado, para o grupo "com TDAH", observaram-se maiores flutuações na preferência entre as alternativas ao longo das sessões experimentais. Os presentes resultados indicam os cuidados necessários para se afirmar que o TDAH envolve autocontrole quando se utiliza escolhas com atraso, além de discutir os problemas em se utilizar este modelo.


